"A sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor, mas cidadão.
Jornalismo é serviço público, não espetáculo" (Alberto Dines)

24 de junho de 2010

Crônica + Ditado Popular
Fira e serás ferido

Cláudia era a típica mulher de meia idade dos subúrbios paulistanos: dona de casa, mãe e esposa perfeita, assídua frequentadora da igreja do bairro. Achava um absurdo o rumo que a sociedade estava tomando: "Esses jovens não tem mais jeito! E a culpa é das mães!", dizia. Não permitia que seus próprios filhos saíssem sozinhos nem pra escola. Nunca.

Quando a filha de Ana Maria, sua melhor amiga, engravidou, cortou relações com a família inteira: "A Ana fica o dia todo assistindo novela e não cuida dos filhos. Não quero contato com esse tipo de gente."

Certa vez, Cláudia adoeceu e ficou de cama. Seu marido, muito atarefado, permitiu que sua filha Suellen, de 15 anos, fosse e voltasse da escola sem companhia. Foi a primeira e única vez na qual a menina saiu sozinha até então.

Nove meses depois, Cláudia estava correndo ao hospital de madrugada para conhecer Pedro, seu netinho, que acabara de nascer.

Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

23 de junho de 2010

A Paixão Segundo GH (excertos)

Então, antes de entender, meu coração embranqueceu como cabelos embranquecem.

De encontro ao rosto que eu pusera dentro da abertura, bem próximo de meus olhos, na meia escuridão, movera-se a barata grossa. Meu grito foi tão abafado que só pelo silêncio contrastante percebi que não havia gritado, O grito ficara me batendo dentro do peito.
[...]

[...]
"Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois "eu" é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo.

Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana - e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano.
E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real."

Clarice Lispector
((Niilismo Puro))

12 de junho de 2010


Internet banda larga brasileira é uma das piores do mundo

Como meio mais atual de comunicação, a internet ainda deixa muito a desejar a respeito de sua acessibilidade. No Brasil, o uso da internet é liberado e, por conseguinte, o número de usuários tem crescido expressivamente segundo as estimativas.
Aqueles que mantêm contato freqüente com a internet precisam de conexões mais ágeis que a discada, e logo, são obrigados a pagar absurdo preço por sua utilização em banda larga; Banda larga que em outros países chega ser 400 vezes mais barata.
Não obstante, a internet banda larga do Brasil também é uma das mais lentas do mundo e contam com sua distribuição fajuta pelo país.
Atualmente o governo tem como uma das principais medidas, a constituição de uma operadora voltada especificamente a oferecer em preços populares os serviços de acesso à internet banda larga. A faixa de preços estaria em R$ 30,00 por mês.

Resta agora, ou melhor, ainda, esperar que uma internet de qualidade finalmente faça parte do dia-a-dia brasileiro.

10 de junho de 2010

Licor
[Voltaire de Souza]

O dia dos namorados se aproxima. Mas a vida de uma jovem executiva é agitada. Corina trabalha numa multinacional. "não tenho tempo nem para o mercado". Namorava um rapaz chamado Júlio. "o que eu compro pra ele? Ele tem tudo... não gosta de nada". Corina passeava entre as gôndolas . Produtos finos sempre agradam ao paladar exigente. "Será que Júlio vai gostar deste licor de anis?" A dúvida não durou muito. Entrou no mercado o assaltante Canhoto. "Levo a garrafa. E a tua grana." Corina reparou no porte atlético do delinqüente. Paixão imediata e correspondida. Corina não mais se preocupa em dar presentes. "Quando ele gosta, ele leva."
O verdadeiro amor não tem data e dispensa lembrancinhas.

Folha de São Paulo 06/06/2000

6 de junho de 2010


O belo é sempre belo?

A beleza é algo transitório. Cada época, etnia, cultura e análise com a sua diferença.
Os conceitos de beleza às vezes se prolongam por muito tempo, ainda que as diferenças de cada sociedade contribuam para que não haja um padrão ou modelo de beleza.

Nesta propaganda a mensagem passada ao consumidor é de que cabelos bonitos são cabelos lisos e ponto. O produto promete transformar até os cabelos mais cacheados e volumosos em cabelos lisos, brilhantes e sem o famoso frizz.


A preferência por cabelos lisos é quase que universal. Logo, um o padrão de beleza capilar se instala nas cabeças femininas. E é a partir desse e de outros fatores sócio-culturais que as empresas de cosméticos focam suas propagandas e campanhas publicitárias.