La Tomatina: Brincadeira ou inconsequência
Atração turística de Buñol gera questionamento sobre o uso de comida para justificar diversão
Atração turística de Buñol gera questionamento sobre o uso de comida para justificar diversão
A Tomatina de Buñol, tradição da cultura espanhola, está para acontecer. Festa mundialmente conhecida, a Tomatina é nada mais que uma guerra de tomates entre cerca de 40.000 pessoas do mundo inteiro, reunidas numa gigante brincadeira que ocorre todos os anos. A celebração tem duração de uma hora, a partir do primeiro lançamento de foguetes que servem de aviso para início e término da brincadeira.
Foi em 1945 que tudo começou. Um grupo de jovens garotos se envolveu numa confusão onde o tomate virou a principal arma de ataque. No ano seguinte, o mesmo aconteceu, só que dessa vez, propositalmente. Quem quisesse participar, trazia seus tomates. Desde então, toda última quarta-feira de agosto, a festa realizada no município de Buñol - na província de Valência - recebe milhares de turistas, como em nenhuma época do ano uma cidade de aproximadamente 10.000 pessoas poderia receber.
Com mais de 125 toneladas de tomate, cinco caminhões circulam pelas ruas com destino à praça central de Buñol, para que a festa comece. Independentemente de raça, cor ou credo, turistas vindos de todos os cantos da terra chegam com apenas uma finalidade: jogar comida nos outros e ter muita história para contar mais tarde. Para alguns, o evento é considerado tolo ou mesmo um desperdício de comida, e mesmo na Espanha a sua realização já foi questionada.
Nos anos 50, as autoridades de Buñol tentaram, sem êxito, proibir a festa. Porém, em 1957, moradores locais fizeram diversos protestos, até que a famosa La Tomatina começou a fazer parte do calendário de eventos oficiais do país. Em 2002, a celebração foi nomeada pela Secretaria Geral de Turismo de Valência como Festa de Interesse Turístico Internacional. A previsão é de que a cidade receba 40.000 pessoas, que se reunirão às 11h (local, 15h de Brasília) no dia 25 de agosto para dar início à “guerra”.
Entre o desperdício e a diversão
Também conhecida como horta da Espanha, Valencia é quem produz os tomates distribuídos aos participantes. Ainda assim, o economista Júlio Marcos Limeira, formado na Universidade de São Paulo (USP), afirma que o evento, apesar de relevante para o turismo, resulta em um grande desperdício. “(O uso dos tomates) Poderia ser revertido em ajuda a países pobres e sem perspectivas de avanço prévio. Até mesmo em diversos tipos de ajuda ao próprio município. Milhares de tomates desperdiçados podem alimentar milhares de crianças subnutridas”, ressalta.
A brasileira Roseli Campanela Albuquerque, 25, estudante de Letras que ano passado participou do evento, no entanto, acredita que os dois lados devem ser avaliados. “Confesso que durante a brincadeira, mesmo fazendo parte daquilo me questionei a respeito da fome pelo mundo afora, e isso me incomoda, mas me convenci de que aquilo é cultura, é o mercado de turismo, é a economia deles”, conta. O sucesso da festa entre os turistas e o crescente número de participantes a cada ano mantém a tradição viva, apesar da polêmica que ela pode gerar.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a marca de 1 bilhão de pessoas passando fome já foi ultrapassada. E ainda no ano de 2009, em decorrência da crise econômica mundial, a FAO alertou sobre a situação global. “Pela primeira vez na História da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de subnutrição em todo o mundo”, afirma a instituição.
Matéria publicada no Web Jornal O Estado RJ
Por Renata Asp
http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=5345&editoria=

.jpg)
