"A sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor, mas cidadão.
Jornalismo é serviço público, não espetáculo" (Alberto Dines)

9 de julho de 2010


Política pra que?


Eram seis horas da manhã quando Eliza percebeu que seu remédio havia acabado.
Hipertensa, desde a adolescência, ela sempre recorria a um posto de saúde público para retirar os remédios que precisava.

Ao chegar no posto, logo já se via a grande fila de pessoas que estavam lá com o mesmo intuito.
Mesmo depois de uma hora na fila, Eliza não pode retirar seus remédios por que os mesmos já tinham acabado.
_Como vou passar a semana sem meus remédios?
_Se ao menos eu tivesse dinheiro pra comprar pelo menos um dos que eu preciso...
Durante o caminho de volta pra casa, Eliza ficou pensativa.

Não era a primeira vez que isso acontecia. Nem a primeira vez que se indignara com tal situação.
Atrasada pra levar seus filhos à escola, Eliza nem tinha tempo pra colocar as idéias no lugar.
Sempre que havia uma pergunta martelando em sua cabeça, ela acabava por não ser respondida.
E assim ia.

_Por que não consigo os remédios que preciso se o governo investiu tanto dinheiro na saúde pública?
A única resposta que conseguia tirar daí era a que a funcionário do posto lhe dera: _Está em falta minha senhora. E já faz umas duas semanas. Volte semana que vem. Acho que já terá chegado.
_Mas como assim: Acho que já terão chegado?
Quantas pessoas como eu, estão precisando desse remédio?

Afinal, encontrar respostas pra esse tipo de coisa não é tão importante quando se tem de trabalhar duro pra colocar a comida na mesa.
E mesmo pra quem só tem um limite de verba destinado às compras do mês...
...Tempo é dinheiro.

Quando Eliza chegou em casa, chamou seus filhos para levá-los à escola.
Seu filho mais velho, Mateus, acordando de mau humor, já foi logo dizendo:
_Mãe hoje é o jogo do Brasil na Copa esqueceu?
Não tem aula no dia do jogo. A escola liberou.

Mas será possível? Onde já se viu? disse Eliza indignada.

À noite, Eliza não mal podia esperar pra que a novela começasse.
_Ai, é hoje que a Giovana casa com o Fernando.

De repente, um corte na novela. Era o horário político.
_Droga de horário político. Pra que vou querer ver esse bando de corrupto prometendo investir na educação dos meus filhos e em nossa saúde, se vou ao posto, e meus remédios estão em falta há três semanas?
_Eu e meu marido não pagamos imposto pra isso. E ainda por cima atrasam minha novela. Mas será o Benedito?
_Só porque a eleição está chegando eles enchem a gente de horário político.
Todo mundo sabe que o jeito é votar no “menos pior”.

2 comentários:

  1. Valeu Renata Asp!
    É isso aí.
    Por que acompanhar a campanha daqueles candidatos que durante seus mandatos, já mostraram sua incompetência e desinteresse em governar em pról do cidadão brasileiro, que a muito espera, pelo menos o retorno de sua tão árdua e vultuosa contribuição, que deveria retornar em benefícios, mesmo que fosse apenas nos setores básicos (saúde, educação, segurança, habitação), mas por mais que se esforce para tentar enxergar alguma melhora, nem que seja mínima, não logra êxito. E como conhecer os demais candidatos, se existe tanta desigualdade entre as propagandas políticas (quem tem mais recursos, aparece muito mais), existem candidatos que jamais serão conhecidos.
    Portanto, os que mostram suas "máscaras", serão eleitos pelo "povo".
    É isso.

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  2. Eu discordo!

    Para mim o artigo transmitiu como o desinteresse da população pela polítca afeta prejudicialmente cada um de nós.
    Votando sempre no menos pior, estaremos sempre conformados com o "menos pior".
    Esse não deveria ser o objetivo da sociedade brasileira.

    Parabéns Reh!

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