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1 de novembro de 2010

Brasileiros procuram horários alternativos para estudar e se qualificar

Cursos na madrugada atraem quem quer estudar e não tem tempo

Dormir sempre foi essencial à sobrevivência humana. O horário é que não precisa ser obrigatório. Algumas pessoas trocam o turno normal do sono para se divertir à noite. E também há aqueles, que acredite se quiser, estudam na madrugada. Voltado para pessoas sem tempo durante os horários comuns (matutino, vespertino e noturno), os cursos de período madrugueiro atendem as necessidade de quem precisa de qualificação no mercado de trabalho.

No Brasil, a ideia de cursos na madrugada começou quando o pró-reitor do centro universitário UniÍtalo, percebeu que um grupo de garçons jogavam bola de madrugada por falta de tempo durante o dia. "Eu estava insone, no quarto do hotel, quando vi aqueles rapazes disputando uma pelada. Desci, conversei com eles e concluí que, se tinham disposição para jogar bola, poderiam estar estudando", relembrou.

Em agosto de 2008, a primeira turma da madrugada no país foi aberta. "Há dois anos decidimos focar nas classes C e D e sentimos necessidade de oferecer horários diferentes para esses alunos, que precisam trabalhar para pagar os estudos", explica o pró-reitor de graduação Luiz Carlos de Souza (UniÍtalo). Dos 10 mil alunos da instituição, 1,1 mil estudam de madrugada.

O principal motivo de um curso com horário alternativo é atingir o público que antes não poderia de fato ser atendido. Os horários alternativos variam a partir das 5h45 ou após as 23h. Com tempo faltando na agenda, aqueles que não conseguiam se ajustar nos períodos normais, agora podem estudar de madrugada. Outra vantagem é o preço das mensalidades, que caem pela metade na turma madrugueira. Incentivando ainda mais a procura pela tão almejada qualificação no mercado de trabalho.

A nova classe média tem visto uma melhora significativa na renda graças ao investimento pessoal na educação. "A renda dos mais pobres cresceu muito e a educação explica dois terços desse movimento. Enquanto no topo, a taxa de crescimento é menor e a educação explica menos, porque são pessoas que já tinham acesso ao conhecimento", segundo o professor Marcelo Néri, coordenador de pesquisas que medem os impactos dos anos de estudo a mais na renda da população na FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Trocando os horários para chegar lá

Várias empresas exigem qualificação de ensino superior aos funcionários, mesmo depois de já empregados. A solução é entrar o mais rápido possível na faculdade. Embora muitos não consigam conciliar as coisas, oportunidades como essa agora servem de grande estímulo para a volta aos estudos e a uma possível promoção no serviço. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo (Semeesp) constatou que 72% dos estudantes que concluem o ensino superior conseguem aumento salarial.

Com Raul Castelamari, 26, estudante de Administração na UniÍtalo, , as coisas não foram muito diferentes. “Comecei a estudar de madrugada por motivo de tempo. Sempre trabalhei no comercio e o horário era um pouco puxado. Procurei uma faculdade que se adequasse ao meu horário disponível. No começo foi muito difícil, mas depois de um ano me acostumei”. Hoje Raul trabalha na área de trade marketing.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a evolução numa família em que todos os membros têm no máximo o ensino médio, a renda mensal é de R$ 1.659,99. Quando alguém, na casa, tem o diploma de graduação esse valor vai para R$ 4.296,05. Entre 2003 e 2009, a renda individual do brasileiro cresceu 3,8% ao ano. Entre os 20% mais pobres, esse crescimento foi duas vezes maior.

Não há restrições do Ministério da Educação (MEC) para os cursos de madrugada; que também são avaliados pelo ministério. “Parece estranho, porque em alguns segmentos da sociedade ter ensino superior hoje é o mínimo. Mas o fato é que essa é uma realidade distante da maioria e quem consegue esse feito se destaca", diz Hélio Zylberstajn, pesquisador do Observatório do Emprego e presidente do Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (Ibret).

A UniRadial e algumas unidades do Senai também oferecem cursos de madrugada.

Matéria publicada no Web Jornal O Estado RJ
Por Renata Asp

http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=6037&editoria=Pa%EDs

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