"A sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor, mas cidadão.
Jornalismo é serviço público, não espetáculo" (Alberto Dines)

4 de setembro de 2010


Banheiros tarifados deixam usuários na dúvida

Pagar para usar banheiro é exploração ou garantia de comodidade?


Os banheiros tarifados estão invadindo o mundo todo. Shoppings centers, rodoviárias e até mesmo aviões cobram taxa. As empresas responsáveis por esses banheiros cobram aproximadamente 1 real para a utilização de cada usuário. Quando essa estratégia começou não se sabe ao certo, mas o fato ainda incomoda. Os usuários, antes acostumados a entrar em banheiros gratuitos, agora se deparam com uma catraca seguida de placas informando o preço que deveram pagar pela utilização do mesmo.
 
A preservação do ambiente é o objetivo número um das empresas prestadoras de serviço terceirizado, especialistas na administração de banheiros públicos. Tal serviço implica em gastos, logo as taxas, nem sempre bem-vindas pelos usuários. “Quando a taxa era de 1 real as pessoas já reclamavam, agora que a empresa subiu pra 1,25 real tem gente que prefere segurar a vontade e sair xingando mesmo”, declara um funcionário da empresa Socicam - uma das mais respeitadas no mercado - que não quis ser identificado.
 
O comerciante Rodoaldo Silva, 55, dono de uma lanchonete à beira da praia de Santos, litoral do estado de São Paulo, diz que há dois anos as pessoas saíam do mar e iam à sua lanchonete para usar o banheiro. “Ou cobro a taxa do banheiro, ou vou ter que subir os preços dos meus produtos”, explica. Com o passar do tempo, percebeu que a cortesia da casa começava a sair caro. Gastava com produtos de limpeza e precisava limpar o banheiro com mais frequência.
 
Quando a justificativa é semelhante a essa, a cobrança pela utilização parece ser melhor compreendida pelos clientes. Já com grandes empresas de shoppings e rodoviárias, o entendimento é diferente. “Eu não vou ao shopping à toa, tenho gastos. Ainda por cima quando quero ir ao banheiro encontro um funcionário da tal empresa e uma catraca me cobrando um real”, declara Sônia Vicente, 40, aposentada por invalidez. A lógica é válida, mas empregar empresas terceirizadas acaba separando administração de shopping e banheiro.
 
Alguns aceitam, outros recusam
 
A irlandesa Ryanair, uma das maiores companhias aéreas da Europa, passará a cobrar aproximadamente, 1 euro (2,37 reais) a cada vez que o usuário decidir usar o banheiro. “Ao cobrar para utilizar os banheiros, nós estamos esperando mudar o comportamento dos passageiros para que eles usem o banheiro antes ou depois do voo”, explica o porta-voz da Ryanair, Stephen McNamara ao Daily Mail. “Isso nos permitirá eliminar dois de três dos banheiros e abrir caminho para, pelo menos, seis lugares extras”, acrescenta.
 
Em Rondônia, desde 27 de agosto deste ano, por Lei de autoria do deputado estadual Jesualdo Pires (PSB), os banheiros estão disponíveis e sem cobrança de taxa para passageiros que estejam de posse da passagem rodoviária. O tíquete precisa estar com data e horários previstos no itinerário, juntamente com comprovante de pagamento da taxa de embarque rodoviário. “Nossa intenção, ao aprovarmos este projeto é garantir o direito de utilização gratuita aos usuários e impedir que os passageiros tenham os custos de uma viagem ainda mais onerosa”, ressalta o parlamentar.
O deputado explicou ainda, por meio de sua assessoria, que oferecer banheiros em bom estado de conservação e de higiene é um dever das administrações dos terminais para garantir aos usuários condições mínimas de saúde e comodidade. Entretanto, a cobrança para utilização causa dificuldades e constrangimentos às pessoas com menor poder financeiro.


Matéria publicada no Web Jornal O Estado RJ
Por Renata Asp
http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=5494&editoria=Pa%EDs

Nenhum comentário:

Postar um comentário