"A sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor, mas cidadão.
Jornalismo é serviço público, não espetáculo" (Alberto Dines)

20 de novembro de 2010

LIVROS X E-BOOKS
Videorama

Repórter: Renata Asp
Câmera: Adriano Alves
Edição: Andressa Moura


1 de novembro de 2010

Brasileiros procuram horários alternativos para estudar e se qualificar

Cursos na madrugada atraem quem quer estudar e não tem tempo

Dormir sempre foi essencial à sobrevivência humana. O horário é que não precisa ser obrigatório. Algumas pessoas trocam o turno normal do sono para se divertir à noite. E também há aqueles, que acredite se quiser, estudam na madrugada. Voltado para pessoas sem tempo durante os horários comuns (matutino, vespertino e noturno), os cursos de período madrugueiro atendem as necessidade de quem precisa de qualificação no mercado de trabalho.

No Brasil, a ideia de cursos na madrugada começou quando o pró-reitor do centro universitário UniÍtalo, percebeu que um grupo de garçons jogavam bola de madrugada por falta de tempo durante o dia. "Eu estava insone, no quarto do hotel, quando vi aqueles rapazes disputando uma pelada. Desci, conversei com eles e concluí que, se tinham disposição para jogar bola, poderiam estar estudando", relembrou.

Em agosto de 2008, a primeira turma da madrugada no país foi aberta. "Há dois anos decidimos focar nas classes C e D e sentimos necessidade de oferecer horários diferentes para esses alunos, que precisam trabalhar para pagar os estudos", explica o pró-reitor de graduação Luiz Carlos de Souza (UniÍtalo). Dos 10 mil alunos da instituição, 1,1 mil estudam de madrugada.

O principal motivo de um curso com horário alternativo é atingir o público que antes não poderia de fato ser atendido. Os horários alternativos variam a partir das 5h45 ou após as 23h. Com tempo faltando na agenda, aqueles que não conseguiam se ajustar nos períodos normais, agora podem estudar de madrugada. Outra vantagem é o preço das mensalidades, que caem pela metade na turma madrugueira. Incentivando ainda mais a procura pela tão almejada qualificação no mercado de trabalho.

A nova classe média tem visto uma melhora significativa na renda graças ao investimento pessoal na educação. "A renda dos mais pobres cresceu muito e a educação explica dois terços desse movimento. Enquanto no topo, a taxa de crescimento é menor e a educação explica menos, porque são pessoas que já tinham acesso ao conhecimento", segundo o professor Marcelo Néri, coordenador de pesquisas que medem os impactos dos anos de estudo a mais na renda da população na FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Trocando os horários para chegar lá

Várias empresas exigem qualificação de ensino superior aos funcionários, mesmo depois de já empregados. A solução é entrar o mais rápido possível na faculdade. Embora muitos não consigam conciliar as coisas, oportunidades como essa agora servem de grande estímulo para a volta aos estudos e a uma possível promoção no serviço. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo (Semeesp) constatou que 72% dos estudantes que concluem o ensino superior conseguem aumento salarial.

Com Raul Castelamari, 26, estudante de Administração na UniÍtalo, , as coisas não foram muito diferentes. “Comecei a estudar de madrugada por motivo de tempo. Sempre trabalhei no comercio e o horário era um pouco puxado. Procurei uma faculdade que se adequasse ao meu horário disponível. No começo foi muito difícil, mas depois de um ano me acostumei”. Hoje Raul trabalha na área de trade marketing.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a evolução numa família em que todos os membros têm no máximo o ensino médio, a renda mensal é de R$ 1.659,99. Quando alguém, na casa, tem o diploma de graduação esse valor vai para R$ 4.296,05. Entre 2003 e 2009, a renda individual do brasileiro cresceu 3,8% ao ano. Entre os 20% mais pobres, esse crescimento foi duas vezes maior.

Não há restrições do Ministério da Educação (MEC) para os cursos de madrugada; que também são avaliados pelo ministério. “Parece estranho, porque em alguns segmentos da sociedade ter ensino superior hoje é o mínimo. Mas o fato é que essa é uma realidade distante da maioria e quem consegue esse feito se destaca", diz Hélio Zylberstajn, pesquisador do Observatório do Emprego e presidente do Instituto Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho (Ibret).

A UniRadial e algumas unidades do Senai também oferecem cursos de madrugada.

Matéria publicada no Web Jornal O Estado RJ
Por Renata Asp

http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=6037&editoria=Pa%EDs

13 de outubro de 2010


Uma Linda Mulher

Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma: 
- Eu, hein?... nem morta!

Luís Fernando Veríssimo

1 de outubro de 2010

Economia verde cresce

Apostando as fichas no mercado sustentável

Em meados do ano 2000, a denominação "Mercado Verde" apareceu na Europa, servindo para diferenciar um leque de produtos produzidos de forma ecologicamente correta. Produtos que, mesmo considerando a linha mercadológica, não agridem o meio ambiente, estabelecendo padrões determinantes de produção e serviço. A partir daí, esse mercado ecologicamente consciente passou a ajudar na limpeza do planeta e mais recentemente,  com as energias renováveis, a aquecer os mercados bilionários e a economia mundial.

As energias renováveis são, na verdade, energias de fontes e recursos naturais como sol, chuva, vento, calor e marés (que são naturalmente reabastecidos). Já os famosos combustíveis renováveis, utilizam como matéria-prima elementos renováveis para a própria natureza. A fim de fazer parte de um mundo agora mais do que nunca sustentável, as empresas buscam a Certificação de Gestão Ambiental, procurando profissionais especializados para atuarem na implantação de projetos sustentáveis.

Os investimentos em fontes sustentáveis subiram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 148 bilhões no ano passado. "A mensagem desses números é clara: a energia verde já é um investimento de primeira linha, e continua acelerando", contou o alemão Achim Steiner, chefe do Programa da ONU para o Ambiente. E não aceleram por acaso. Por hora, apenas 13% da energia mundial vem de fontes limpas. Mas, um mercado com saltos de crescimento expressivo e que é vital à sobrevivência do planeta atrai resultados positivos.

Graças aos incentivos do governo, hoje, a Alemanha - país que é a casa da Volkswagem, Mercedes, BMW e Porsche - emprega 250 mil pessoas na indústria da energia verde, o dobro de 2004. A expectativa é que até 2020, o setor ultrapasse o da fabricação de automóveis. "As empresas se deram conta de que produtividade e desenvolvimento precisam de uma base sustentável para a continuidade e a longevidade de seu próprio negócio”, diz o diretor-executivo da Conservação Internacional no Brasil, Fábio Scarano.

Para Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, essas mesmas fontes são indispensáveis para a economia mundial porque podem tirá-la do buraco. Um dos motivos que ele dá para tanta esperança é a diminuição do aumento da temperatura global para apenas 2º C em 2050. Diferente dos 7º C previstos atualmente, se os cortes das emissões de carbono pela metade não ocorrerem. O outro motivo é a geração de novos empregos que ajudaria na recuperação da saúde financeira do mundo. Segundo o secretario, o novo motor para o avanço mundial já foi encontrado.

Matéria publicada no Web Jornal O Estado RJ
Por Renata Asp
http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=5863&editoria=Mundo

15 de setembro de 2010


Vaticano 2010: o ano das acusações

Acusações de pedofilia envolvendo padres mancham imagem da Igreja Católica

Pelo menos 300 pessoas, desde o início de 2010, acusaram padres católicos da Alemanha por abuso sexual ou físico. As denúncias estão sendo investigadas em 18 das 27 dioceses (unidades territoriais administradas por um bispo) da Igreja Católica alemã. Em meio a tantos escândalos, a credibilidade da cúpula papal começa a ser comprometida. O jornal americano The New York Times  chegou a acusar o Papa Bento XVI de acobertar casos de pedofilia, pois teria ignorado cartas do cardeal de Wiscosin, enviadas em 1996 e 1997.

As correspondências revelavam que o padre americano Laurence C. Murphy, entre 1950 e 1974, abusou de 200 jovens surdos internados em uma instituição. Porém, Murphy, escreveu outra carta ao papa pedindo que considerasse sua idade, saúde precária e a prescrição dos fatos, que foram revelados 20 anos depois. Murphy morreu em 1998, aos 72 anos. A imprensa italiana não fica de fora do alvo constante de críticas: o Vaticano. Na opinião do jornalista Giancarlo Zizola, do jornal La Repubblica, “o funcionamento estrutural da igreja deixou que se instaurasse um sistema de negação e de proteção da instituição, que se tornou mais importante do que a justiça, a transparência e os direitos dos inocentes”.

No Brasil, precisamente em Alagoas, a suspeita de supostos integrantes da Máfia da Pedofilia é constantemente investigada a partir de uma série de denúncias contra padres católicos do município de Arapiraca. Denúncias e acusações como essas revelaram um vídeo do monsenhor Luiz Marques Barbosa, 83 anos, em ato sexual com o ex-coroinha Fabiano, que diz ter iniciado suas relações com Luiz há 12 anos. Fabiano disse que durante 8 anos foi seu “escravo sexual”, e só mantinha relações com o padre porque ele o ameaçava constantemente.

O padre foi preso preventivamente por pedofilia aos ex-coroinhas da paróquia de São José. De acordo com o senador Magno Malta, esse foi o meio mais eficaz de evitar a fuga do padre. "Nós descobrimos que ele tirou um passaporte recentemente. Por isso, decretamos a prisão dele", afirma. Dias depois, o monsenhor foi colocado em regime domiciliar por conta da idade e problemas de saúde.

O celibato é fator questionado também entre católicos. Seu objetivo no clero da Igreja Católica é a aproximação entre homem e Deus, baseada na vida de Jesus Cristo, que teria sido solteiro. Muitos jovens fiéis desejosos da ordenação como padres desistiram por causa do celibato. Com Reinaldo Sena , 33, professor de inglês formado pela Universidade Ibero-Americana de Letras e Ciências Humanas, não foi diferente. “Sempre tive vocação para o sacerdócio, porém, seria inevitável o conflito com a imposição celibatária, visto que é, ao meu ver, contra a própria natureza do ser humano”, conta.

Respostas do Vaticano

No dia 15 de Julho de 2010, o Vaticano, em resposta aos amplos escândalos de pedofilia que vem afetando a Igreja Católica, apresentou um novo guia de procedimentos e para casos de abuso sexual. Dentre as regras impostas, o prazo da prescrição dos delitos passou de 10 anos para 20. Assim, vítimas ignoradas e silenciadas por anos poderão ter julgamento. Lembrando também que casos de adultos com deficiência mental que sofreram abusos sexuais serão tratados como crime tão grave quanto à pedofilia.

Em uma das missas pelas vítimas de padres, na Basílica de São Pedro, em Roma, o reverendo Charles Scicluna, designado pelo Vaticano para investigar as denúncias sobre sacerdotes pedófilos em vários países, fez apologia à pena de morte e subentendeu que os condenados à sentença capital poderiam se livrar do inferno, independentemente dos crimes que tenham cometido. A declaração não deixou os fiéis muito contentes.

Apesar das várias declarações papais e normas mais severas apresentadas, uma das principais exigências dos defensores das vítimas de pedofilia não foi atendida: ordem explícita às igrejas locais de que, quando envolvidas em casos investigativos de abusos, se dirijam à justiça civil. A maioria das denúncias inclui membros da Igreja que ignoram relatos de abuso sexual e transferem para outra igreja o padre acusado. A política de expulsão imediata de padres acusados de tal crime também não foi citada no manual.

E assim, passando pela crise mais grave já vivida pelo Vaticano em muitas décadas, a Igreja continua tentando, aos poucos, se recompor de uma bateria de acusações até esse ano encobertas, e a tomar medidas eficientes quanto aos crimes já cometidos e aos que não mais deveriam ocorrer. Tarefa essa que está sendo muito difícil e demorada àqueles que sabem realmente o que traumas de abusos sexuais podem acarretar.

Matéria publicada no Web Jornal O Estado RJ
Por Renata Asp
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4 de setembro de 2010


Banheiros tarifados deixam usuários na dúvida

Pagar para usar banheiro é exploração ou garantia de comodidade?


Os banheiros tarifados estão invadindo o mundo todo. Shoppings centers, rodoviárias e até mesmo aviões cobram taxa. As empresas responsáveis por esses banheiros cobram aproximadamente 1 real para a utilização de cada usuário. Quando essa estratégia começou não se sabe ao certo, mas o fato ainda incomoda. Os usuários, antes acostumados a entrar em banheiros gratuitos, agora se deparam com uma catraca seguida de placas informando o preço que deveram pagar pela utilização do mesmo.
 
A preservação do ambiente é o objetivo número um das empresas prestadoras de serviço terceirizado, especialistas na administração de banheiros públicos. Tal serviço implica em gastos, logo as taxas, nem sempre bem-vindas pelos usuários. “Quando a taxa era de 1 real as pessoas já reclamavam, agora que a empresa subiu pra 1,25 real tem gente que prefere segurar a vontade e sair xingando mesmo”, declara um funcionário da empresa Socicam - uma das mais respeitadas no mercado - que não quis ser identificado.
 
O comerciante Rodoaldo Silva, 55, dono de uma lanchonete à beira da praia de Santos, litoral do estado de São Paulo, diz que há dois anos as pessoas saíam do mar e iam à sua lanchonete para usar o banheiro. “Ou cobro a taxa do banheiro, ou vou ter que subir os preços dos meus produtos”, explica. Com o passar do tempo, percebeu que a cortesia da casa começava a sair caro. Gastava com produtos de limpeza e precisava limpar o banheiro com mais frequência.
 
Quando a justificativa é semelhante a essa, a cobrança pela utilização parece ser melhor compreendida pelos clientes. Já com grandes empresas de shoppings e rodoviárias, o entendimento é diferente. “Eu não vou ao shopping à toa, tenho gastos. Ainda por cima quando quero ir ao banheiro encontro um funcionário da tal empresa e uma catraca me cobrando um real”, declara Sônia Vicente, 40, aposentada por invalidez. A lógica é válida, mas empregar empresas terceirizadas acaba separando administração de shopping e banheiro.
 
Alguns aceitam, outros recusam
 
A irlandesa Ryanair, uma das maiores companhias aéreas da Europa, passará a cobrar aproximadamente, 1 euro (2,37 reais) a cada vez que o usuário decidir usar o banheiro. “Ao cobrar para utilizar os banheiros, nós estamos esperando mudar o comportamento dos passageiros para que eles usem o banheiro antes ou depois do voo”, explica o porta-voz da Ryanair, Stephen McNamara ao Daily Mail. “Isso nos permitirá eliminar dois de três dos banheiros e abrir caminho para, pelo menos, seis lugares extras”, acrescenta.
 
Em Rondônia, desde 27 de agosto deste ano, por Lei de autoria do deputado estadual Jesualdo Pires (PSB), os banheiros estão disponíveis e sem cobrança de taxa para passageiros que estejam de posse da passagem rodoviária. O tíquete precisa estar com data e horários previstos no itinerário, juntamente com comprovante de pagamento da taxa de embarque rodoviário. “Nossa intenção, ao aprovarmos este projeto é garantir o direito de utilização gratuita aos usuários e impedir que os passageiros tenham os custos de uma viagem ainda mais onerosa”, ressalta o parlamentar.
O deputado explicou ainda, por meio de sua assessoria, que oferecer banheiros em bom estado de conservação e de higiene é um dever das administrações dos terminais para garantir aos usuários condições mínimas de saúde e comodidade. Entretanto, a cobrança para utilização causa dificuldades e constrangimentos às pessoas com menor poder financeiro.


Matéria publicada no Web Jornal O Estado RJ
Por Renata Asp
http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=5494&editoria=Pa%EDs

23 de agosto de 2010

La Tomatina: Brincadeira ou inconsequência

Atração turística de Buñol gera questionamento sobre o uso de comida para justificar diversão

A Tomatina de Buñol, tradição da cultura espanhola, está para acontecer. Festa mundialmente conhecida, a Tomatina é nada mais que uma guerra de tomates entre cerca de 40.000 pessoas do mundo inteiro, reunidas numa gigante brincadeira que ocorre todos os anos. A celebração tem duração de uma hora, a partir do primeiro lançamento de foguetes que servem de aviso para início e término da brincadeira.

Foi em 1945 que tudo começou. Um grupo de jovens garotos se envolveu numa confusão onde o tomate virou a principal arma de ataque. No ano seguinte, o mesmo aconteceu, só que dessa vez, propositalmente. Quem quisesse participar, trazia seus tomates. Desde então, toda última quarta-feira de agosto, a festa realizada no município de Buñol - na província de Valência - recebe milhares de turistas, como em nenhuma época do ano uma cidade de aproximadamente 10.000 pessoas poderia receber.

Com mais de 125 toneladas de tomate, cinco caminhões circulam pelas ruas com destino à praça central de Buñol, para que a festa comece. Independentemente de raça, cor ou credo, turistas vindos de todos os cantos da terra chegam com apenas uma finalidade: jogar comida nos outros e ter muita história para contar mais tarde. Para alguns, o evento é considerado tolo ou mesmo um desperdício de comida, e mesmo na Espanha a sua realização já foi questionada.

Nos anos 50, as autoridades de Buñol tentaram, sem êxito, proibir a festa. Porém, em 1957, moradores locais fizeram diversos protestos, até que a famosa La Tomatina começou a fazer parte do calendário de eventos oficiais do país. Em 2002, a celebração foi nomeada pela Secretaria Geral de Turismo de Valência como Festa de Interesse Turístico Internacional. A previsão é de que a cidade receba 40.000 pessoas, que se reunirão às 11h (local, 15h de Brasília) no dia 25 de agosto para dar início à “guerra”.

Entre o desperdício e a diversão

Também conhecida como horta da Espanha, Valencia é quem produz os tomates distribuídos aos participantes. Ainda assim, o economista Júlio Marcos Limeira, formado na Universidade de São Paulo (USP), afirma que o evento, apesar de relevante para o turismo, resulta em um grande desperdício. “(O uso dos tomates) Poderia ser revertido em ajuda a países pobres e sem perspectivas de avanço prévio. Até mesmo em diversos tipos de ajuda ao próprio município. Milhares de tomates desperdiçados podem alimentar milhares de crianças subnutridas”, ressalta.

A brasileira Roseli Campanela Albuquerque, 25, estudante de Letras que ano passado participou do evento, no entanto, acredita que os dois lados devem ser avaliados. “Confesso que durante a brincadeira, mesmo fazendo parte daquilo me questionei a respeito da fome pelo mundo afora, e isso me incomoda, mas me convenci de que aquilo é cultura, é o mercado de turismo, é a economia deles”, conta. O sucesso da festa entre os turistas e o crescente número de participantes a cada ano mantém a tradição viva, apesar da polêmica que ela pode gerar.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a marca de 1 bilhão de pessoas passando fome já foi ultrapassada. E ainda no ano de 2009, em decorrência da crise econômica mundial, a FAO alertou sobre a situação global. “Pela primeira vez na História da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de subnutrição em todo o mundo”, afirma a instituição.

Matéria publicada no Web Jornal O Estado RJ
Por Renata Asp
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14 de agosto de 2010



Futebol X Política

A disputa entre a paixão nacional e um assunto não muito agradável para todos

Depois de mais um famigerado Campeonato Mundial em 11 de Junho até 11 de Julho, o cidadão brasileiro começa a assimilar a proximidade da eleição (3 de outubro) de novos representantes para o país. Entre elas a eleição do presidente da república. Com apenas um mês de duração a Copa do Mundo 2010 pôde tirar de cena os até então protagonistas Dilma e Serra (não esquecendo a coadjuvante Marina Silva), para colocar em close o técnico da seleção brasileira: Dunga, e seus escolhidos - para tristeza da grande maioria dos brasileiros - jogadores.

As eleições para Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual ocorrem a cada quatro anos, e algo que dura apenas um mês, pode afugentar opiniões políticas de um cidadão que por quatro anos refletiu em sua escolha ruim de governo.
Esse desvio de foco no olhar do povo brasileiro - que guarda um sentimento de antipatia declarada pela política - é derivado de fatores infelizes e até então presentes na chamada: democracia.

Os dois grandes eventos do ano estão ocorrendo em menos de seis meses e se tornam metas principais dos diversos tipos de mídias nacionais. A plena participação desses meios de comunicação nessa história toda faz a grande diferença.
Junho de 2010 a mídia reforça esperanças para com o melhor futebol do mundo. Meses seguintes, relembra a importância do voto consciente e tenta converter a esperança de um bom futebol em bom governo.

O cientista político e conselheiro do Movimento Voto Consciente Dr. Humberto Dantas diz que : “Não é uma questão de COPA apenas, é um caso de paixão pelo futebol que vai além.” Para ele, a Copa não é na verdade uma intervenção tão nociva quanto pode parecer, já que outros países como a Alemanha também passam por processo semelhante.
“Parte desse problema não é apenas das pessoas, mas também das pautas da imprensa. Isso desvia a atenção, afasta o debate da política do cotidiano, e remete para o sonho do futebol.”, afirma.

A última que morre

Opiniões divergem dentro de um universo tão complexo quanto é a política para a sociedade e a sociedade para o fator febril que é o futebol brasileiro.
Quando questionado sobre suas esperanças para 2014 em relação à Copa e a atuação dos eleitos neste ano, o estudante Felipe Leandro, 19, declarou não conseguir mais ter expectativas em um bom e justo governo. “A injustiça está em processo hereditário. Infelizmente as chances de hexa em 2014 são maiores que uma atuação satisfatória do governo.”

Maria Victoria Benevides, socióloga e professora de Educação da USP, afirma que o brasileiro na maioria das vezes tem como atuação política somente o voto. E, por conseguinte passa então a apresentar maior interação quando se trata de casos específicos, ou seja, que os afetam diretamente. O que não acontece no caso do futebol; um mero entretenimento.

Mesmo que ainda principiante, a participação política do brasileiro não deixa de incentivar a esperança em ter esperanças. Para o estudante de jornalismo Laerte Conde , 47, ainda tem jeito: “Não acredito que a seleção brasileira ainda tenha chances de bom desempenho na próxima Copa, mas ainda tenho esperanças de um governo mais justo e de uma sociedade mais satisfeita com a política brasileira”.

Com mais da metade da população desinteressada em política, o Brasil conta com mais da metade da população sem voto consciente. Com mais da metade da população interessada em futebol, logo o Brasil conta com mais da metade da população interessada em: futebol. E como é de se prever, o interesse político da sociedade brasileira pode não chegar um dia a exacerbar tanta esperança quanto a da torcida brasileira nos Campeonatos Mundiais, porém ainda é de se esperar que tal assunto seja - o quanto antes - tratado em níveis significativos de importância.

1 de agosto de 2010




Quem Será Que Peidar

Ó, quem será que peidar
Que tire o cú da reta e não demore
Com a mão amarela, se inocente
Que sem prova concreta não dá pra pegar
E todos os trambiques irão te salvar
Com todos os auxílios da previdência
E todo benefício da leniência
E todos os decretos que te aliviam
Pois quem não tem vergonha quando chafurdar
Não entende desespero por coisa alguma
Pois que não tem decoro, nem nunca terá
Porque que não tem castigo.

Ó quem será quem peidar
Que apague a luz dos aeroportos
Pra debaixo do tapete todos os mortos
E vem gente me pedindo: relaxa e goza
Colhendo os impostos para a mesada
Na eterna incompetência do governante
Mostrando com orgulho a falcatrua
Na dança do larápio que ganha a rua
Enquanto que a gente a se perguntar
Aonde é que a gente então vai parar
E se não tem remédio, pra quem implorar
A quem não dá ouvido

Ó quem será quem peidar
Desfaça o flagrante dos mensaleiros
E faça um desagravo pros brasileiros
É só um feriado que a gente esquece
Se benza duas vezes com a mão na massa
Com cara de enlevo ninguém vai notar
Triplique o dinheiro pra olimpíada
Com a cara de tacho que te consagra
No próximo vexame ninguém vai lembrar
Não há merecimento nem nunca haverá
Por que ninguém exige nem exigirá
Tua cabeça a prêmio.

Composição: Lobão
Hino do movimento "Peidei mas não fui eu",
criado pelo cantor, compositor, VJ, ativista, etc.

31 de julho de 2010


- Sem Final Feliz -

Uma família que tinha tudo para ser feliz. Como nos contos de fadas!
Alexandre e Anna Carolina Jatobá se amavam, e como em muitas histórias de amor, existia também a ex-esposa de Alexandre.
Ainda assim, o casal, mantinha o elo mais forte que um casal pode ter além do amor: a Princesinha Isabella de apenas 5 anos.

Infelizmente o amor entre Alexandre e Anna Carolina vinha acompanhado de ciúmes; que faria de Anna uma verdadeira Bruxa Malévola.

Anna Jatobá se incomodava com a Princesinha por ela não ser de fato sua filha, mas sim da ex-mulher de seu amado. O que só aumentava seu sentimento de raiva.
Depois de muitas voltas da casa do pai com sinais de agressão, a Princesinha parecia cada vez menos querer estar junto ao pai, como relatou sua verdadeira mãe. 
A Madrasta e Bruxa Malévola começou a agredir a garota, em atos de covardia e por motivos fúteis. Alexandre, o Pai, se acostumou e já não se opunha mais.

Esse amor doentio e desgovernado que Anna Jatobá [Madrasta] e Alexandre Nardoni [Pai] possuíam uma pelo outro, os tornaram cúmplices de um crime hediondo. De cenário: Uma família feliz. Um contexto que nunca faria alguém imaginar no que estava por vir depois de um longo passeio de compras.
Na noite do dia 22 de março de 2008, na Zona Norte de São Paulo, a Madrasta e seu cúmplice, o próprio Pai da garota, arrumaram uma forma de adormecê-la.
Depois que a Madrasta esganou a Princesinha, o Pai cortou uma proteção que havia na janela e a atirou do sexto andar.

Ao contrário dos contos de fada, onde a Princesinha acorda de seu sono eterno, no mundo real Isabella Nardoni nunca mais acordou.